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Nota de Confidencialidade: O nome da empresa cliente foi substituído por Yield Pro e métricas específicas foram anonimizadas, visando preservar a confiabilidade e as informações estratégicas do negócio, conforme acordo de confidencialidade. Os desafios e soluções de UX apresentados, no entanto, refletem fielmente o escopo e o resultado do projeto original
Estruturamos um produto para creator economy focado em monetização e personalização, ao longo do processo identificamos alta complexidade e riscos durante o escopo inicial. O que levou à decisão de não lançar o produto nesse formato.
Este projeto gerou maior clareza estratégica, melhor priorização e redução de riscos de investimento
Com o crescimento acelerado da Creator Economy no pós-pandemia, a monetização de conteúdo por assinatura se consolidou como modelo dominante. No entanto, esse mercado já contava com players estabelecidos e soluções amplamente adotadas.
Apesar disso, essas plataformas apresentavam limitações relevantes:
Experiência pouco personalizada para consumidores
Barreiras técnicas e operacionais para criadores
Falta de transparência em ganhos e métricas
Fluxos que dificultavam aquisição e conversão
Nesse cenário, a Yield Pro surgiu como uma oportunidade de explorar um posicionamento competitivo baseado em personalização e melhores mecanismos de monetização. O desafio era estruturar um produto capaz de equilibrar valor para dois públicos distintos — creators e consumidores — sem comprometer viabilidade técnica e velocidade de execução.
O desenvolvimento do produto foi guiado por hipóteses centrais relacionadas à aquisição, conversão e retenção dentro do ecossistema.
Aquisição & Conversão:
Partimos da hipótese de que uma experiência freemium, combinada com conteúdo relevante e personalizado, aumentaria a aquisição de usuários e o engajamento inicial, criando uma base consistente para conversão em assinaturasRetenção de Criadores:
Acreditávamos que oferecer maior autonomia na gestão de conteúdo, transparência financeira e um fluxo simplificado de publicação aumentaria a adesão e ativação de creators na plataforma.
As hipóteses foram validadas por pesquisas quantitativas e qualitativas, garantindo decisões orientadas por dados. Ao mesmo tempo, evidenciaram a complexidade do produto, especialmente no equilíbrio de valor entre dois públicos distintos.

O processo foi estruturado com base no Double Diamond, isso serviu para me ampliar a compreensão do problema antes de avançar para soluções
Pesquisa & Insights
Benchmarking de players diretos e indiretos
Desk research para mapear falhas em experiência e segurança
Análise de comportamento de comunidades e modelos de monetização
UX Research
A pesquisa combinou abordagens quantitativas e qualitativas:
Quantitativa: Pude identificar de padrões de uso, mapeamento de barreiras e alguns indicadores de decisão
Qualitativa: Usei estas entrevistas para entender as reais motivações, inseguranças e expectativas
Principais perfis identificados
Digital Creator: insegurança com a previsibilidade de receita, dificuldade de gestão de conteúdo e baixa transparência financeira
Premium Subscriber: frustração com baixa relevância de conteúdo e insatisfação com descoberta antes da assinatura
Síntese estratégica: Esses achados esfregaram na minha cara a complexidade de equilibrar valor para dois públicos distintos, especialmente ao conectar descoberta de conteúdo com monetização sustentável — algo que pesou diretamente nas decisões de escopo ao longo do projeto

ao longo do processo, a complexidade do produto se tornou mais evidente, especialmente ao tentar equilibrar personalização, monetização e escalabilidade
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Tensão crítica
Durante a definição do MLP, surgiu uma divergência entre a visão de produto (que priorizava experiência personalizada desde o início) vs. capacity disponível no time.
A falta de alinhamento(produto & engenharia) dificultou a leitura do real impacto dessa complexidade, aumentando o risco de atraso e comprometendo o time-to-market.
Para lidar com essa complexidade, estruturamos a priorização utilizando matriz de impacto vs. esforço e critérios MoSCoW, buscando identificar o que seria viável para um primeiro momento
Decisão de escopo:
Priorizar funcionalidades centrais de consumo, monetização e gestão
Minimizar complexidade técnica para acelerar validação
Principais soluções priorizadas:
Feed personalizado para reduzir aleatoriedade de conteúdo
Ferramentas de publicação e agendamento para criadores
Entrega de valor imediata, sem cadastro obrigatório
Carteira virtual com tracking detalhado de ganhos
Pagamento via Pix, gerenciamento de assinaturas e engajamento básico
Apesar da priorização, bancamos (Time de Produto) por manter parte do escopo estratégico ligado à personalização — considerado um diferencial competitivo — mesmo com limitações técnicas claras.
É claro que deu ruim! Essa decisão aumentou a complexidade do MLP e impactou diretamente sua viabilidade de execução no curto prazo
O projeto gerou impactos relevantes ao influenciar decisões estratégicas e reduzir riscos associados ao desenvolvimento do produto.
Redução de risco
Evitou o desenvolvimento de um MLP com alta complexidade técnica e baixa viabilidade no curto prazo
Reduziu o risco de atraso no go-to-market
Evitou investimento antecipado em uma solução sem validação incremental
Clareza estratégica
Refinamento da proposta de valor para creators e consumidores
Identificação de limitações no equilíbrio entre personalização e viabilidade técnica
Maior entendimento dos trade-offs entre experiência e capacidade de execução
Direcionamento futuro
Evidenciou a necessidade de um escopo mais enxuto para validação inicial
Direcionou o produto para abordagens mais incrementais
Estabeleceu uma base mais sólida para decisões em ciclos futuros
O principal resultado do projeto foi permitir decisões mais conscientes sobre o caminho do produto, priorizando viabilidade, velocidade de aprendizado e uso mais eficiente de recursos. O trabalho também contribuiu para alinhar stakeholders em torno de um escopo mais viável e uma abordagem mais incremental.

A YIELD PRO NÃO FOI LANÇADO, E ESSE REVÉS FOI UM DIVISOR DE ÁGUAS PARA MINHA EVOLUÇÃO
Este projeto escancarou que, em contextos de alta complexidade, a melhor decisão nem sempre está em avançar com a execução, mas em reavaliar o caminho antes de comprometer tempo e recursos.
Durante o processo, ficou claro que a ambição de entregar uma experiência altamente personalizada desde o início aumentava significativamente a complexidade do produto, comprometendo sua viabilidade no curto prazo.
A decisão de não lançamento foi, portanto, um resultado direto do processo — e não uma falha.
Dar de cara na porta me fez entender:
A importância de alinhar ambição de produto vs. capacidade real de execução
Priorização não apenas como organização de escopo, mas principalmente como ferramenta de redução de risco
A necessidade de estruturar produtos de forma incremental isso acelera a validação e aprendizado
Evolução como Product Designer
Este projeto reforçou a importância de atuar não apenas na definição de soluções, mas na tomada de decisões estratégicas que impactam diretamente o sucesso do produto.
Mais do que desenhar experiências, o papel do designer está em questionar caminhos, antecipar riscos e contribuir para escolhas mais sustentáveis para o negócio

